No Pânico
Um ataque de pânico é caracterizado por um período intenso de medo, por um pico de uma ansiedade extrema acompanhado de sensações corporais e psíquicas, tais como: Palpitações, taquicardia, suores, tremores, tonturas, sensação de desmaio ou vertingens, falta de ar, náuseas, dor de estômago, medo de morrer, medo de enlouquecer ou perder o controlo, desrealização e/ou despersonalização (isto é, sensação de irrealidade, como se vivesse num sonho, num filme; “sensação estranha”, onde o mundo e o eu são percepcionados de forma estranha).
A emoção subjacente é o medo, e o “medo de ter medo”, que leva a uma ansiedade antecipatória podendo evoluir para uma agorafobia – evitam-se locais não familiares e fora da zona de conforto, ou locais onde já se tenha experienciado um ataque de pânico, ou se possa senti-lo de novo e onde a fuga seja difícil (filas de trânsito, centros comerciais, filas de supermercado, cabeleireiros, reuniões, etc.). Forma-se, assim, um ciclo vicioso, em que o medo de ter medo leva ao isolamento e ao evitamento fóbico de variadas situações e a um estado depressivo. Alguém que já tenha vivenciado uma situação de pânico saberá o terror e o desespero interno sentido e evitará tudo aquilo que possa levá-la a experienciar de novo tal horror. O que é importante compreender é a origem e motivo do pânico para que as mudanças e o seu alívio possam acontecer e que, na realidade, não vai morrer, nem vai ficar louco, nem vai ficar sem uma saída, embora no momento sinta como tal. Com o tratamento adequado e profissional é possível tratar os ataques de pânico e sair deste ciclo vicioso.
No luto
A perda de uma pessoa que nos é querida e pela qual nutrimos um grande amor implica um sofrimento e dor intensos. A estas vivências psicológicas – consideradas normais – chamamos de “trabalho de luto”. O luto não poderá ser considerado como uma doença que necessita de tratamento, trata-se de um processo “normal” que considera a noção de tempo, espaço e mudança psíquica. Falamos de uma adaptação mental e emocional à situação de perda.
A reacção a esta situação compreende várias fases:
Choque no confronto com a realidade;
Recusa e negação da realidade;
Sentimentos de zanga, e raiva como protesto; dor, revolta, culpabilidade;
Tristeza como processo de desinvestimento;
Consciencialização e aceitação do sentimento de perda; retorno à vida normal e investimento em novos objectos.
Depois de um trabalho de luto saudável, o sujeito irá trabalhar estes sentimentos de tristeza, culpa e zanga, ficando dentro de si uma representação estável e integrada de sentimentos positivos e negativos. É, assim, uma fase transitória e necessária para poder investir novamente nos aspectos bons da vida e em si próprio.
Não há outra forma de elaborar a perda sem a passagem por estas vivências. Se ocorre uma negação da realidade – muitas vezes de forma inconsciente -, mais tarde ou mais cedo “micro coisas” irão precipitar a perda não vivida e não elaborada, causando o luto patológico, a depressão ou outro tipo de sintomatologia. No luto patológico predomina a negação da realidade, sentimentos de tristeza profunda, sensação de vazio, limitações no dia-a-dia, incapacidade de usufruir de actividades que antes davam prazer, incapacidade de investir em novos projectos, novas relações, novos objectos. É neste tipo de processo que será necessária ajuda profissional, de modo a que se possa proceder à elaboração de um luto normal e saudável.
O luto trata-se de um processo lento, longo, com graus variáveis de desinteresse pelo mundo exterior que tenderão a diminuir conforme o processo avança. No final a pessoa amada e perdida adquire a forma de “uma lembrança”, o estado depressivo desaparece dando lugar a um re-investimento em novas relações afectivas.
Nas obsessões e compulsões
Todos nós experimentamos de algum modo alguma ruminação mental, sentimentos de dúvidas, ambivalências em determinada fase da vida. As obsessões e compulsões constituem um estado que pode surgir numa “quantidade tolerável” e ser passageiro, fruto de um período em que a pessoa se encontra mais ansiosa, stressada ou deprimida. Ou, por outro lado, pode ser mais frequente e uma limitação exacerbada no quotidiano.
As obsessões são caracterizadas por pensamentos e ideias ruminantes acompanhadas de grandes doses de angústias, surgindo as compulsões que são comportamentos repetitivos e estereotipados que funcionam como respostas às obsessões, servindo para aliviar a ansiedade, afastar o azar, ou evitar um acontecimento negativo, como se de um processo mágico se tratasse.
Os sintomas passam por:
Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que são experimentados como intrusivos e/ou inapropriados e que provocam mal-estar intenso;
Comportamentos repetitivos (lavagem de mãos, rezar, contar, repetir palavras mentalmente, ordenações, verificações) que a pessoa sente compelida a executar em resposta a uma obsessão (pensamento ruminante);
A pessoa reconhece que os pensamentos obsessivos são produto da sua mente, que são difíceis de controlar e que são irracionais, sente-se obcecada por ideias que considera absurdas, ou por ideias que contradizem a sua moral.
Esta condição provoca mal-estar, consome tempo e interfere significativamente com as rotinas normais de cada um. Considera-se uma defesa que a mente proporciona devido a questões internas difíceis de serem pensadas, de ganharem uma consciência e de poderem serem faladas e transformadas. A psicoterapia torna-se basilar neste processo para que a pessoa possa entender o que se encontra por trás desta defesa mental que a faz ser e ficar prisioneira de si própria.

