Ansiedade infantil

Todo o desenvolvimento humano e infantil acarreta um certo grau de ansiedade. Todos nós, em adultos, e em crianças, sentimos, em determinados momentos, ansiedade. A ansiedade é uma emoção como todas as outras e normal! Ela existe e não significa que a criança esteja doente ou sofra de qualquer tipo de patologia. Os medos e os anseios infantis, como o medo do escuro, o medo dos animais, o medo do “papão” são inerentes ao desenvolvimento infantil, organizando-o. É importante que os pais e/ou cuidadores respeitem este processo de crescimento, sendo bastante prejudicial comentários depreciativos e redutivos, como por exemplo: “não sejas maricas, os cães não fazem mal nenhum”; “és maluca, não existe nenhum papão”; “não tenhas medo do escuro, tens que ser um homem”. Este tipo de interpretação afecta o desenvolvimento emocional e psíquico da criança, bem como a sua auto-estima. Os medos e as ansiedades infantis, quando normais e adaptativos, irão passar com o tempo e irão transformar-se numa maior resiliência e maior capacidade de tolerância à frustração.

Então, quando nos devemos preocupar?

Quando a ansiedade é demasiado intensa e perturba o desenvolvimento social, emocional e relacional da criança. Isto é, quando a mesma deixa de estar funcional na sua vida e rotina diária, apresentando um sofrimento, por vezes, mascarado.

A ansiedade patológica é paralisante e bloqueia o desenvolvimento, tendo consequências ao nível relacional, familiar e educativo. Pode emergir, por exemplo, perturbações de aprendizagens, perturbações de comportamento, desinteresse, demasiada desmotivação, inércia, apatia, medos e pânico excessivos. Algumas crianças com graves problemas de ansiedade passam despercebidas pelos professores e pelos próprios pais, por terem tendência a estarem demasiado sossegadas e serem demasiado obedientes. Outras, acabam por “massacrar” a vida dos pais e dos professores devido à sua “rebeldia” que não é mais do que uma chamada de atenção e um pedido de ajuda.

Estados depressivos nas crianças e adolescentes

A tristeza é um sentimento normal e uma condição inerente a qualquer ser humano. Todas as crianças, adolescentes e adultos se sentem tristes de vez em quando, passando por períodos de alguma tristeza, sendo esta um processo que tem de ser contextualizado e percebido como “desilusões normais” e indispensáveis ao crescimento e desenvolvimento humano.

Quando se perde alguém, quando se passa por uma situação de divórcio ou de mudança, entre outras situações, a tristeza é uma resposta ativa e necessária a um luto que tem de ser vivido. Contudo, é preciso chamar a atenção para o fenómeno da depressão (diferente da tristeza normal) nas crianças e adolescentes, que ocorre, muitas vezes, mais cedo do que se possa pensar.

Na idade pré-escolar (até aos 6 anos), uma criança deprimida pode apresentar alguns sintomas, sendo os mais frequentes estados físicos como dores de cabeça frequentes, dores de barriga, fadiga e tonturas. Associadas a estas queixas físicas estão a ansiedade (nomeadamente a ansiedade de separação), fobias, agitação psicomotora, irritabilidade, perturbações do sono e da alimentação, enurese e encoprese, comunicação deficiente, isolamento social e dificuldade em brincar. Em idade escolar (a partir dos 7 anos até aos 12 anos) pode surgir humor depressivo já capaz de ser verbalizado, relatado como tristeza, irritabilidade ou tédio. Podem apresentar uma aparência cabisbaixa, choro fácil, apatia, isolamento social, fobia escolar, obsessões, fadiga intensa, alterações do sono e da alimentação, e também sintomas físicos.

A depressão nos adolescentes costuma apresentar sintomas semelhantes aos dos adultos. No entanto os adolescentes deprimidos podem não manifestar apenas tristeza, mas também irritabilidade e raiva, rebeldia, comportamentos de oposição, aborrecimento e tédio, sentimentos de desespero e culpa, perturbações do sono e alteração do peso, prejuízo no desempenho escolar, social e relacional, baixa auto-estima e pensamentos suicidas.

O consumo de drogas pode surgir como uma tentativa de fuga ao real estado de depressão em que o adolescente se encontra. Há que distinguir o que é uma fase transitória no processo adolescentil, em que todos os sintomas acima referidos acabam por ser normais e passageiros, daquilo que se torna persistente, duradouro e que reflete um sofrimento patológico que está a ser difícil de gerir.

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