No Pânico
Um ataque de pânico é caracterizado por um período intenso de medo, por um pico de uma ansiedade extrema acompanhado de sensações corporais e psíquicas, tais como: Palpitações, taquicardia, suores, tremores, tonturas, sensação de desmaio ou vertingens, falta de ar, náuseas, dor de estômago, medo de morrer, medo de enlouquecer ou perder o controlo, desrealização e/ou despersonalização (isto é, sensação de irrealidade, como se vivesse num sonho, num filme; “sensação estranha”, onde o mundo e o eu são percepcionados de forma estranha).
A emoção subjacente é o medo, e o “medo de ter medo”, que leva a uma ansiedade antecipatória podendo evoluir para uma agorafobia – evitam-se locais não familiares e fora da zona de conforto, ou locais onde já se tenha experienciado um ataque de pânico, ou se possa senti-lo de novo e onde a fuga seja difícil (filas de trânsito, centros comerciais, filas de supermercado, cabeleireiros, reuniões, etc.). Forma-se, assim, um ciclo vicioso, em que o medo de ter medo leva ao isolamento e ao evitamento fóbico de variadas situações e a um estado depressivo. Alguém que já tenha vivenciado uma situação de pânico saberá o terror e o desespero interno sentido e evitará tudo aquilo que possa levá-la a experienciar de novo tal horror. O que é importante compreender é a origem e motivo do pânico para que as mudanças e o seu alívio possam acontecer e que, na realidade, não vai morrer, nem vai ficar louco, nem vai ficar sem uma saída, embora no momento sinta como tal. Com o tratamento adequado e profissional é possível tratar os ataques de pânico e sair deste ciclo vicioso.
Na despersonalização e desrealização
Talvez todos nós ao longo da vida experimentámos momentos em que nos sentimos a “viajar”, “distantes de nós próprios”, “como se tivéssemos num sonho acordados”, “ficar a olhar para o espaço e não ter a noção do tempo passar”, ou “sentirmo-nos estranhos no nosso corpo”, etc. A esse tipo de processo chamamos de Dissociação. A dissociação é um processo que pode ocorrer em pessoas sem qualquer perturbação psicológica ou psiquiátrica. A despersonalização e a desrealização são formas de dissociar e que envolvem uma mudança na experiência ou percepção de si próprio e do que o rodeia. Este tipo de sensações só se torna num distúrbio (patológico) quando acarreta um marcado sofrimento psíquico e o torna disfuncional ao nível social, laboral, e emocional.
A despersonalização e desrealização estão, na maioria das vezes, associados a episódios de ansiedade, depressão, e pânico. Muitas vezes as pessoas dissociam primeiro e depois experienciam um ataque de pânico devido ao processo ser demasiado assustador. Isto porque num episódio de despersonalização o que é familiar é sentido como novo, irreal, estranho ao próprio eu.
Os sintomas passam por:
Sentimento de estar desligado do próprio corpo, como se o tivesse observar de fora;
Sentir que o ambiente à sua volta é irreal (sensação de viver num sonho);
As coisas parecem irreais e/ou desfocadas, estranhas;
Fotossensibilidade;
Os outros e o mundo podem parecer “estranhos”;
Ter pensamentos estranhos e achar que está a enlouquecer ou que vai perder o controlo.
Como referido a despersonalização / desrealização é um dos processos que pode ocorrer num episódio de pânico, causando um elevado sofrimento para quem o vive.
Normalmente este tipo de “sensações” passa quando o nível de ansiedade baixa. Este transtorno pode durar momentos, dias e até semanas, uma vez que pode andar com níveis de ansiedade bastante altos sem se aperceber disso, assim como pode ocorrer em episódios depressivos. O que sucede é que fica com medo de voltar a sentir um episódio de pânico e de sentir este tipo de sensação e vive excessivamente preocupado, com medos, receios e numa constante vigília sobre aquilo que pensa, sente, faz. Parece existir uma híper- consciencialização de tudo ao seu redor e do seu próprio corpo. Está demasiado centrado em si. À mínima sensação estranha, como por exemplo uma simples sensação de tontura, o alarme interno dispara, desencadeando um ciclo vicioso em que se torna difícil sair.
Quando a mente fica muito carregada e cansada devido a momentos prolongados de stress ou ansiedade, ela procura defender-se. Isto é, quando estamos cansados psicologicamente e emocionalmente a nossa psique arranja forma de se defender e estas sensações descritas em cima são fruto disso. Trata-se de um mecanismo de defesa, muitas vezes desencadeado pela vivência de uma situação traumática; isto é, uma forma de protecção de toda a ansiedade e conflitos que pairam no inconsciente. Temos que ver a despersonalização como um sinal de que algo não está bem interiormente, e não ficar centrado no sintoma, pois deste modo, ele agravará ainda mais.
Caso os sintomas persistam procurar ajuda profissional é a melhor forma de compreender as suas causas e, assim, melhorar.
No luto
A perda de uma pessoa que nos é querida e pela qual nutrimos um grande amor implica um sofrimento e dor intensos. A estas vivências psicológicas – consideradas normais – chamamos de “trabalho de luto”. O luto não poderá ser considerado como uma doença que necessita de tratamento, trata-se de um processo “normal” que considera a noção de tempo, espaço e mudança psíquica. Falamos de uma adaptação mental e emocional à situação de perda.
A reacção a esta situação compreende várias fases:
Choque no confronto com a realidade;
Recusa e negação da realidade;
Sentimentos de zanga, e raiva como protesto; dor, revolta, culpabilidade;
Tristeza como processo de desinvestimento;
Consciencialização e aceitação do sentimento de perda; retorno à vida normal e investimento em novos objectos.
Depois de um trabalho de luto saudável, o sujeito irá trabalhar estes sentimentos de tristeza, culpa e zanga, ficando dentro de si uma representação estável e integrada de sentimentos positivos e negativos. É, assim, uma fase transitória e necessária para poder investir novamente nos aspectos bons da vida e em si próprio.
Não há outra forma de elaborar a perda sem a passagem por estas vivências. Se ocorre uma negação da realidade – muitas vezes de forma inconsciente -, mais tarde ou mais cedo “micro coisas” irão precipitar a perda não vivida e não elaborada, causando o luto patológico, a depressão ou outro tipo de sintomatologia. No luto patológico predomina a negação da realidade, sentimentos de tristeza profunda, sensação de vazio, limitações no dia-a-dia, incapacidade de usufruir de actividades que antes davam prazer, incapacidade de investir em novos projectos, novas relações, novos objectos. É neste tipo de processo que será necessária ajuda profissional, de modo a que se possa proceder à elaboração de um luto normal e saudável.
O luto trata-se de um processo lento, longo, com graus variáveis de desinteresse pelo mundo exterior que tenderão a diminuir conforme o processo avança. No final a pessoa amada e perdida adquire a forma de “uma lembrança”, o estado depressivo desaparece dando lugar a um re-investimento em novas relações afectivas.
Nas obsessões e compulsões
Todos nós experimentamos de algum modo alguma ruminação mental, sentimentos de dúvidas, ambivalências em determinada fase da vida. As obsessões e compulsões constituem um estado que pode surgir numa “quantidade tolerável” e ser passageiro, fruto de um período em que a pessoa se encontra mais ansiosa, stressada ou deprimida. Ou, por outro lado, pode ser mais frequente e uma limitação exacerbada no quotidiano.
As obsessões são caracterizadas por pensamentos e ideias ruminantes acompanhadas de grandes doses de angústias, surgindo as compulsões que são comportamentos repetitivos e estereotipados que funcionam como respostas às obsessões, servindo para aliviar a ansiedade, afastar o azar, ou evitar um acontecimento negativo, como se de um processo mágico se tratasse.
Os sintomas passam por:
Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que são experimentados como intrusivos e/ou inapropriados e que provocam mal-estar intenso;
Comportamentos repetitivos (lavagem de mãos, rezar, contar, repetir palavras mentalmente, ordenações, verificações) que a pessoa sente compelida a executar em resposta a uma obsessão (pensamento ruminante);
A pessoa reconhece que os pensamentos obsessivos são produto da sua mente, que são difíceis de controlar e que são irracionais, sente-se obcecada por ideias que considera absurdas, ou por ideias que contradizem a sua moral.
Esta condição provoca mal-estar, consome tempo e interfere significativamente com as rotinas normais de cada um. Considera-se uma defesa que a mente proporciona devido a questões internas difíceis de serem pensadas, de ganharem uma consciência e de poderem serem faladas e transformadas. A psicoterapia torna-se basilar neste processo para que a pessoa possa entender o que se encontra por trás desta defesa mental que a faz ser e ficar prisioneira de si própria.

